नामार्थnāmārtha · o sentido dos nomes
O sentido dos nomes das posturas, e os mitos que eles contam
4 min de leitura · Atualizado em 18 de outubro de 2026 · fontes verificadas em 18 de outubro de 2026
Em resumo
Os nomes das asanas juntam uma palavra sânscrita a āsana, postura: vṛkṣa + āsana dá vṛkṣāsana, a árvore. Essas palavras nomeiam animais (cobra, pavão, corvo), sábios (Vasiṣṭha, Matsyendra), heróis e deuses (Hanumān, Vīrabhadra, Naṭarāja), objetos (arco, arado, roda) ou uma orientação do corpo (adho mukha, rosto para baixo). Alguns vêm de textos do século XV; muitos são do século XX.
Cada nome de postura é um pequeno poema. Diga bhujaṅgāsana e você vê uma serpente com o capuz aberto; vīrabhadrāsana, um guerreiro nascido da ira de Śiva; hanumānāsana, um herói macaco que voa sobre o oceano. Saber o que os nomes significam muda o jeito de praticar: a postura deixa de ser uma forma e vira uma imagem para habitar. Nas aulas no Brasil convivem o nome traduzido («cachorro olhando para baixo», «a cobra») e o sânscrito; esta página explica como os nomes sânscritos se formam e percorre as suas famílias, com um link para cada ficha.
Como o nome de uma postura se forma
O sânscrito constrói palavras longas juntando outras mais curtas. Quase todos os nomes de posturas terminam em āsana (आसन), «assento, postura», da raiz ās, sentar. Quando a palavra anterior termina em a, as duas vogais se fundem: vṛkṣa + āsana = vṛkṣāsana, a árvore; padma + āsana = padmāsana, o lótus. Antes da palavra principal, algumas palavras descritivas se repetem o tempo todo:
| Palavra | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| ardha | meio | ardha matsyendrāsana, meio senhor dos peixes |
| eka pāda | um pé, uma perna | eka pāda rājakapotāsana, pombo real sobre uma perna |
| adho mukha | rosto para baixo | adho mukha śvānāsana, cachorro olhando para baixo |
| ūrdhva | para cima, elevado | ūrdhva dhanurāsana, o arco para cima ou roda |
| utthita | estendido | utthita trikoṇāsana, triângulo estendido |
| parivṛtta | girado, em torção | parivṛtta trikoṇāsana, triângulo em torção |
| supta | deitado, adormecido | supta vajrāsana, diamante reclinado |
| baddha | preso | baddha padmāsana, lótus preso |
| sālamba | com apoio | sālamba śīrṣāsana, postura sobre a cabeça com apoio |
Um bom nome diz o que você tem que fazer: adho mukha śvānāsana, «postura do cachorro com o rosto para baixo», é uma instrução completa em quatro palavras.
De onde vêm os nomes
O manual clássico de hatha yoga mais conhecido, a Hatha Yoga Pradipika (alguns textos anteriores já descrevem certas posturas), declara as suas fontes num verso:
वशिष्ठाद्यैश्च मुनिभिर्मत्स्येन्द्राद्यैश्च योगिभिः । अङ्गीकृतान्यासनानि कथ्यन्ते कानिचिन्मया ॥
vaśiṣṭhādyaiś ca munibhir matsyendrādyaiś ca yogibhiḥ | aṅgīkṛtāny āsanāni kathyante kānicin mayā ||
Algumas das posturas adotadas por sábios como Vasiṣṭha e por yogues como Matsyendra, eu as descrevo agora.
Aqui dois mundos se encontram: os videntes védicos (muni) e os yogues da linhagem Nātha. A Gheranda Samhita vai mais longe e liga as posturas à criação inteira: «há tantas posturas quanto espécies de seres vivos; oitenta e quatro centenas de milhares foram ensinadas por Śiva» (2.1). Por isso tantas posturas levam nomes de criaturas.
Animais
Das trinta e duas posturas da Gheranda Samhita, mais de um terço leva nome de animal. O texto não explica por quê; as formas falam por si.
| Nome | Animal | Fonte | Ficha |
|---|---|---|---|
| bhujaṅgāsana | serpente, cobra | Gheranda Samhita 2.42 | a cobra |
| śalabhāsana | gafanhoto | Gheranda Samhita 2.39 | — |
| mayūrāsana | pavão | Hatha Yoga Pradipika 1.32 | — |
| kukkuṭāsana | galo | Hatha Yoga Pradipika 1.25 | — |
| kūrmāsana | tartaruga | Hatha Yoga Pradipika 1.24 | — |
| matsyāsana | peixe | Gheranda Samhita 2.21 | o peixe |
| maṇḍūkāsana | rã | Gheranda Samhita 2.34 | — |
| uṣṭrāsana | camelo | Gheranda Samhita 2.41 | — |
| gomukhāsana | cara de vaca | Hatha Yoga Pradipika 1.22 | — |
| siṃhāsana | leão | Hatha Yoga Pradipika 1.52-54 | — |
| makarāsana | makara, criatura marinha | Gheranda Samhita 2.40 | — |
| garuḍāsana | Garuḍa, águia mítica | Gheranda Samhita 2.37 | — |
| bakāsana, kākāsana | grou, corvo | moderna | o corvo |
| kapotāsana | pombo | moderna | o pombo |
| adho mukha śvānāsana | cachorro | moderna | cachorro olhando para baixo |
| mārjārāsana | gato | moderna | — |
Vale conhecer dois detalhes. O makara não é simplesmente um crocodilo: o dicionário de Monier-Williams o descreve como «uma espécie de monstro marinho», emblema do deus do amor e ornamento das portas dos templos. E Garuḍa não é uma águia qualquer, e sim o rei das aves, inimigo das serpentes e montaria de Viṣṇu.
Sábios e yogues
Várias posturas homenageiam os mestres da tradição.
- Matsyendra, «senhor dos peixes», o primeiro mestre humano da linhagem Nātha, citado pela Hatha Yoga Pradipika entre os mestres do hatha (1.4). A sua torção é clássica: ardha matsyendrāsana, com a lenda do peixe que escutou escondido o ensinamento de Śiva.
- Gorakṣa, o seu discípulo, cujo assento aparece na Gheranda Samhita (gorakṣāsana, 2.24-25 no texto do GRETIL).
- Vasiṣṭha, um dos videntes védicos mais célebres, nomeado no verso acima; o seu nome é dado à prancha lateral (vasiṣṭhāsana), uma postura moderna.
- Marīci, um raio de luz e o nome de um Prajāpati, um senhor das criaturas; marīcyāsana é uma família moderna de torções e flexões sentadas. A mesma palavra é um dos doze nomes do sol.
- Bharadvāja, o vidente a quem a tradição atribui grande parte do sexto livro do Rig Veda; bharadvājāsana é uma torção sentada moderna.
- Aṣṭāvakra, «torto em oito lugares», o brâmane de uma história do Mahābhārata; aṣṭāvakrāsana é um equilíbrio sobre os braços moderno.
Heróis e deuses
- Vīrabhadra, o guerreiro que Śiva criou de uma mecha do seu cabelo para vingar Satī, no Bhāgavata Purāṇa (4.5): vīrabhadrāsana, as posturas do guerreiro.
- Hanumān, filho do Vento, cujo nome significa «o da mandíbula (quebrada)» e que salta sobre o oceano no Rāmāyaṇa (5.1): hanumānāsana, o espacate.
- Naṭarāja, Śiva como rei da dança: naṭarājāsana, a postura do dançarino.
- Ananta, a serpente infinita sobre a qual Viṣṇu descansa: anantāsana, uma postura deitada de lado.
Todas essas posturas são modernas; as histórias são antigas. Dar a uma postura o nome de um herói é um jeito de oferecer ao praticante uma imagem para encarnar, não uma afirmação de que o herói a praticasse.
Objetos e natureza
- Dhanus, o arco: dhanurāsana, e ūrdhva dhanurāsana, a roda.
- Cakra, a roda: cakrāsana.
- Setu, a ponte, eco da ponte de Rāma até Laṅkā: setu bandhāsana, a ponte.
- Vajra, o raio de Indra, o diamante: vajrāsana.
- Daṇḍa, o bastão: daṇḍāsana e caturaṅga daṇḍāsana.
- Hala, o arado: halāsana. Nāva, o barco: nāvāsana.
- Padma, o lótus: padmāsana. Vṛkṣa, a árvore: vṛkṣāsana.
- Tāḍa, explicado como a montanha: tāḍāsana.
- Trikoṇa, o triângulo: trikoṇāsana.
O corpo e os estados
Alguns nomes descrevem o próprio corpo: śīrṣa, a cabeça (śīrṣāsana); sarvāṅga, todos os membros (sarvāṅgāsana, a vela); paścima, o oeste, a parte de trás do corpo (paścimottānāsana, a pinça sentada). Outros descrevem um estado: sukha, o conforto (sukhāsana); siddha, o realizado (siddhāsana); śava, o cadáver (śavāsana), que a Gheranda Samhita também chama de mṛta, o morto.
Bom saber
Aprenda o sentido de um nome por semana e diga-o ao entrar na postura. Para ir mais longe, o capítulo dos textos do yoga apresenta as obras de onde vêm essas palavras.
Nomes antigos, posturas novas
Uma última surpresa para quem lê os textos: um mesmo nome pode indicar posturas diferentes. O arco da Hatha Yoga Pradipika é um arqueiro que leva os dedos do pé até a orelha, não o arco deitado de bruços; o vajrāsana desse mesmo texto é outro nome de siddhāsana; o uṣṭrāsana da Gheranda Samhita é feito de bruços, não ajoelhado. Em cada ficha da Yogide indicamos se uma postura é clássica ou moderna, e qual versão o nome indica. Todas as fichas: o capítulo das asanas.
Perguntas frequentes
Por que todas as posturas de yoga terminam em -asana?
Porque āsana significa assento ou postura, e o sânscrito forma compostos juntando palavras. Quando a primeira palavra termina em a, as duas vogais se fundem num ā longo: bhujaṅga + āsana dá bhujaṅgāsana.
Os nomes das posturas são mesmo antigos?
Alguns são. A Hatha Yoga Pradipika (século XV) nomeia quinze posturas e a Gheranda Samhita trinta e duas. A maioria das posturas em pé e muitas outras receberam nome na Índia do século XX, muitas vezes com um sânscrito cunhado para a ocasião.
Quantas posturas de yoga existem na tradição?
A Gheranda Samhita diz que há tantas posturas quanto espécies de seres vivos, 8 400 000, ensinadas por Śiva, das quais 84 são as mais destacadas e 32 úteis para os seres humanos. O número 84 é simbólico: a HYP e a GS descrevem muito menos, e as primeiras listas de 84 nomes, em textos posteriores como a Haṭharatnāvalī (século XVII), não batem entre si.
Pratique com delicadeza e dentro dos seus limites. O yoga se aprende melhor com um professor qualificado; esta página não o substitui.
Fontes
- Svātmārāma, Haṭhayogapradīpikā, texto em sânscrito (GRETIL, Universidade de Göttingen) verificada em 18 de outubro de 2026
- Gheraṇḍasaṃhitā, texto em sânscrito, capítulo 2 (GRETIL, Universidade de Göttingen) verificada em 18 de outubro de 2026
- Monier-Williams, Sanskrit-English Dictionary (1899), Cologne Digital Sanskrit Dictionaries verificada em 18 de outubro de 2026
- Vālmīki, Rāmāyaṇa, texto em sânscrito da edição crítica (GRETIL, Universidade de Göttingen) verificada em 18 de outubro de 2026
- Bhāgavata Purāṇa, texto em sânscrito (GRETIL, Universidade de Göttingen) verificada em 18 de outubro de 2026